
Porto Velho, RO - O rio Amazonas é um gigante verdadeiro: mais de 6 000 km de extensão, cortando Brasil, Peru e Colômbia, banhando parques nacionais e mantendo a floresta viva. E, pasme, não tem nenhuma ponte atravessando sua extensão direta. Estranho? Com certeza. Mas tem explicação.
Solo instável e desafios técnicos
O chão por onde o rio passa é um colmatado de lama, cheio de sedimentos que mudam com as estações. Equipes de engenheiros dizem que seria necessário construir pilares absurdamente profundos para sustentar qualquer estrutura. E, por ser um rio que cresce até 15 metros na cheia e chega a 48 km de largura, considerem a necessidade de viadutos longos e robustos. O custo e a complexidade ficam nas alturas.
Pouca gente, muito barco
Naquela área a população é quase inexistente e não há estradas conectando as margens. A travessia por balsas já basta. O que gera demanda por pontes são ruas e cidades, mas na floresta, quem trafega quase sempre vai rio acima ou rio abaixo, e não de um lado pro outro.
Impacto ambiental junto com concreto?
Construir uma ponte exigiria abrir estradas que serviriam de caminho para madeireiros, mineradores e desmatadores. Estudos mostram que 95 % do desmatamento acontece até 5 km de uma estrada. Portanto, não é só engenharia difícil, é comprar entrada para o desmatamento com tapete vermelho.
O único “violão” da região.
Existe sim uma ponte ligada à bacia do Amazonas: a Ponte Rio Negro, que cruza o rio Negro, em Manaus. Ela é a maior ponte estaiada do Brasil e custou mais de R$ 1 bilhão. Mas como é sobre um afluente, ela não quebra a regra de não atravessar o Amazonas em si.
Fonte: Fatos Desconhecidos