Tiririca anuncia que não vai tentar reeleição para a Câmara

Deputado reclama que PL entregou o seu número nas urnas para o deputado Eduardo Bolsonaro


Deputado Tiririca | Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Porto Velho, RO - O deputado Tiririca (PL) anunciou nesta terça-feira, 24, que desistiu de se candidatar à reeleição neste ano. Ele vinha se queixando da decisão do partido de entregar o número que era dele nas urnas para o deputado Eduardo Bolsonaro, recém-filiado à legenda.

Tiririca usa o número 2222 desde 2010, quando se elegeu pela primeira vez para a Câmara dos Deputados, com mais de 1,3 milhão de votos, o mais votado naquela eleição. Em 2014, teve 1.016.796 votos, sendo o segundo mais votado, perdendo justamente para Eduardo Bolsonaro, e, em 2018, conseguiu 445.521 votos, tornando-se o quinto mais votado em São Paulo.

Em entrevista ao portal g1, Tiririca afirmou que se sente “traído e desgostoso” com o PL por causa do ato e disse que não foi comunicado oficialmente da decisão pela legenda, comandada por Valdemar Costa Neto. “Foi uma covardia o que fizeram. Estou muito chateado e me sinto desrespeitado. Já decidi que não sairei candidato neste ano”, afirmou.

“Achei um gesto desrespeitoso. Por três anos seguidos o número foi meu e conquistei votações expressivas, elegendo vários membros do partido junto comigo. Fiquei sabendo por terceiros que o número foi dado ao filho do Bolsonaro, e eles até agora não me procuraram para dar uma justificativa”, declarou Tiririca.

Segundo ele, o 2222 é uma marca “superdivulgada” e associada ao seu nome. “Apesar de alguns colegas dizerem que número não elege parlamentar, eu me pergunto por que não deram então outro número para o filho do presidente da República?”, declarou o deputado.

“Depois de ter feito tanto pelo partido, me sinto traído, porque esperaram o fim da janela partidária para que eu não pudesse migrar para outro partido. Lamento muito essa falta de ética”, afirmou.

O deputado afirmou que tem a opção de judicializar a questão do número de urna e levá-la à Justiça Eleitoral, mas decidiu que não iria fazer isso para retomar integralmente a carreira de humorista a partir de 2023. Ele também não apoia o presidente Jair Bolsonaro (PL). “Não votei em Bolsonaro em 2018 e não votaria agora”, afirmou.

“A partir de 1° de janeiro de 2023, vou retomar a minha carreira de humorista integralmente. Se daqui quatro anos eu tiver cabeça para voltar, eu volto num outro partido. Por ora, estou de cabeça tranquila e certo da minha decisão”, disse o deputado.

Revista Oeste
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