Exportação brasileira de trigo cresce mais de 1.700% em março

 

Balança comercial brasileira registra o melhor resultado positivo para meses de março desde o início da série histórica, em 1989

Porto Velho, RO - Um dos maiores importadores mundiais de trigo, o Brasil exportou 800 mil toneladas do cereal em março deste ano, um crescimento de 1.745% em comparação com o mesmo mês de 2021, quando foram embarcadas 45,3 mil toneladas.

Em receita, o crescimento é ainda mais impressionante: 1.995%; foram US$ 245,5 milhões em março de 2022, contra apenas US$ 12,2 milhões no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o crescimento na receita é de 448,1%.

De acordo com o analista Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócio, o volume de trigo exportado é resquício da safra passada, em que o Brasil colheu aproximadamente 7,7 milhões de toneladas.

“Na safra 2021, que foi muito boa, os produtores fecharam muitos contratos de exportação. O que estamos vendo é o cumprimento destes contratos. E o produtor vai continuar exportando”, diz Cogo.

Foto: Flávio Santana/ Embrapa trigo

Segundo estimativas da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), neste trimestre, o Brasil deve exportar 2,12 milhões de toneladas do cereal, aumento de 332% em relação ao primeiro trimestre 2021.
Trigo para alimentação animal

Um dos produtos mais disputados do mercado, especialmente depois do início da guerra entre Rússia e Ucrânia, a cotação do trigo no mercado internacional acumula alta de 70% nos últimos 12 meses.

Segundo Carlos Cogo, é importante destacar que o trigo exportado pelo Brasil é o chamado hard, utilizado na alimentação animal, e que o trigo usado na panificação é o do tipo soft, mais produzido na Argentina, Canadá e Rússia. “O Brasil consome atualmente 12,5 milhões de toneladas e grande parte dos moinhos do país já está abastecido. Nós não teremos problemas de desabastecimento”, afirma.

Ainda de acordo com Cogo, o preço e a liquidez do cereal vão incentivar o produtor brasileiro a produzir mais. “O governo ainda não estimou o tamanho da safra deste ano. Nós estamos prevendo, e os número ainda serão revisados, aproximadamente 3,3 milhões de hectares, a maior área desde 1987. Se tudo ocorrer bem, o Brasil pode colher até 10,8 milhões de toneladas em 2022”, estima.
Balança comercial

Embalada pela valorização das commodities (bens primários com cotação internacional), a balança comercial registra o melhor resultado positivo para meses de março desde o início da série histórica, em 1989. No mês passado, o país exportou US$ 7,383 bilhões a mais do que importou.

Segundo o Ministério da Economia, isso representa alta de 19,3% em relação ao registrado em março do ano passado.

No primeiro trimestre, a balança comercial acumula superávit de US$ 11,313 bilhões. Isso representa 37,6% a mais que o registrado de janeiro e março do ano passado (US$ 8,087 bilhões). O saldo é o segundo melhor da história para o período, perdendo apenas para 2017, quando o superávit tinha ficado em US$ 13,016 bilhões nesse intervalo.

No mês passado, o Brasil vendeu US$ 29,095 bilhões para o exterior e comprou US$ 21,711 bilhões. Tanto as importações como as exportações bateram recorde em março, desde o início da série histórica, em 1989. As exportações subiram 25% em relação a março do ano passado, pelo critério da média diária. As importações aumentaram 27,1% na mesma comparação.

Um dos principais responsáveis pela recuperação do saldo comercial foi a valorização das commodities (bens primários com cotação internacional), que subiram em março em meio ao acirramento das tensões entre Rússia e Ucrânia. A estabilidade de algumas safras, principalmente a de soja, também contribuiu para o resultado.

No mês passado, o volume de mercadorias exportadas subiu apenas 1,8%, enquanto os preços aumentaram 17,2% em média na comparação com o mesmo mês do ano passado. Nas importações, a quantidade comprada caiu 7,1%, mas os preços médios subiram 29,5%.
Agropecuária

Ao comparar o setor agropecuário, o aumento nos preços internacionais pesou mais nas exportações. O volume de mercadorias embarcadas caiu 4,5% em março na comparação com o mesmo mês de 2021, enquanto o preço médio subiu 33,4%.

Na indústria de transformação, a quantidade subiu 7,2%, com o preço médio aumentando 19,3%. Na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios e de petróleo, a quantidade exportada caiu 7,1%, enquanto os preços médios ficaram estáveis, com leve alta de 0,6%.

Os produtos com maior destaque nas exportações agropecuárias foram trigo e centeio não moídos (+1.995,5%), café não torrado (+60,7%) e soja (+35%) na agropecuária. O crescimento deve-se principalmente aos preços. O destaque negativo foi o milho, cujas exportações caíram 91,3% de março do ano passado a março deste ano por causa da antecipação de embarques no início do ano.

Em relação às importações, os maiores crescimentos foram registrados nos seguintes produtos: pescados (+114,3%), frutas e nozes não-oleaginosas (+50%) e soja (+81,9%), na agropecuária.

Em relação aos fertilizantes, a alta deve-se principalmente ao aumento de 132,7% nos preços. A quantidade importada caiu 3,2% em março na comparação com março do ano passado.
Estimativa

A valorização das commodities fez o governo revisar para cima a projeção de superávit comercial. Para 2022, o governo prevê saldo positivo de US$ 111,6 bilhões, contra projeção anterior de US$ 79,4 bilhões . As estimativas são atualizadas a cada três meses.

As previsões estão muito mais otimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$ 65 bilhões neste ano.

Fonte: Canal Rural
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