Com 0,8% nas pesquisas, Rodrigo Pacheco desiste de disputar a presidência

Rodrigo Pacheco, presidente do Senado - Foto: Agência Senado.

Porto Velho, RO 
- Com 0,8% nas intenções de voto para as eleições presidenciais de outubro, de acordo vom levantamento nacional realizado pelo instituto Paraná Pesquisas e divulgado nesta quarta-feira (9), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), divulgou nota comunicando a decisão de desistir de sua postulação.

Em sua nota, Pacheco agradece ao presidente nacional de PSD, Gilberto Kassab, que chegou a lançar sua candidatura durante evento do PSD. O senador fez discurso, fez pose de candidato, mas nunca atingiu nem sequer 1% nas pesquisas.

Com a desistência de Pacheco, que demorou a se concretizar, até em razão do seu estilo roda-presa de ser, Kassab fica liberado para buscar alternativas um pouco mais viáveis.

Entre as alternativas que restam a Kassab está o governador gaúcho Eduardo Leite, que, derrotado nas prévias do PSDB, está em busca de um bom pretexto para não disputar à reeleição em um Estado que cultiva a tradição de não reconduzir governadores.

Leia a íntegra da nota do senador Rodrigo Pacheco desistindo da pré-candidatura presidencial:

“O Brasil passa por uma das maiores crises de sua história. A pandemia do coronavírus, que nos aflige há mais de dois anos, tem impactos severos na saúde, na economia, na educação e na vida das pessoas. O país convive tristemente com desemprego, fome e retrocessos em todas as áreas.

Esse quadro tão delicado foi agravado agora pela invasão da Ucrânia pela Rússia, que teve efeitos imediatos na economia mundial, com consequências inevitáveis no nosso já sofrido Brasil.

Essa situação não é aceitável em um país com tantas riquezas e possibilidades. É preciso reagir e reconstruir o nosso país, que já não vinha bem antes da pandemia.

Nesse grave cenário, o papel do Senado Federal é fundamental. A reconstrução do Brasil passa pelo fortalecimento das instituições, entre elas o nosso Poder Legislativo. O trabalho do Senado nunca parou durante a pandemia, pelo contrário. Projetos essenciais no enfrentamento da crise foram aprovados pelos senadores, como a lei que permitiu a importação das vacinas, o Refis, o auxílio emergencial, entre tantos outros.

Agora mesmo, estamos discutindo projetos para reduzir o impacto ao consumidor do aumento do preço dos combustíveis, problema agravado pela guerra na Ucrânia.

Há ainda muito a fazer. A pauta do Senado reflete o momento pelo qual o país passa. Comissões e plenário trabalham incessantemente na discussão de projetos que propiciarão uma efetiva recuperação da economia, do emprego e da renda dos brasileiros.

Essa deve ser a prioridade de todos os agentes públicos com responsabilidade: permitir que todos os brasileiros e brasileiras tenham uma vida digna, com emprego, remuneração justa, educação e saúde de qualidade para todos, segurança para ir e vir, transporte eficiente e comida no prato.

Aliás, a erradicação da fome e da miséria deve ser uma bandeira de todos, independentemente de ideologia. É inaceitável tolerar pessoas vivendo sem teto, nas ruas, em barracas, pedindo dinheiro em semáforo, como vemos em todas as cidades brasileiras. Ninguém pode dormir em paz enquanto perdurar essa dramática situação. Temos de combater a desigualdade social com todas as nossas forças e criar oportunidades para todos.

E isso passa pela estabilidade do país, com união e sem radicalismos.
Nesse cenário, tenho que dedicar toda a minha energia a conduzir o Senado neste ano fundamental para a tão ansiada recuperação do nosso país. O cargo que me foi confiado por meus pares está acima de qualquer tipo de interesse pessoal ou de ambição eleitoral.

Meus compromissos como presidente do Senado e com o país são urgentes, inadiáveis e não permitem qualquer espaço para vaidades. Por isso, afirmo que é impossível conciliar essa difícil missão com uma campanha presidencial. 

O presidente do Senado precisa agir como um magistrado, conduzindo os trabalhos com serenidade, equilíbrio e isenção, buscando consensos possíveis em nome do melhor para o país. O que é incompatível com um embate eleitoral nacional, por mais civilizado que seja o processo.

Agradeço profundamente ao convite para ser candidato a presidente da República e à confiança depositada em mim pelo meu partido, principalmente pelo nosso presidente, Gilberto Kassab, um dos mais preparados e responsáveis líderes políticos da atual geração. Agradeço também a todos que, por um breve período, compartilharam comigo desse sonho.

Tenham certeza. Sou jovem, tenho muito trabalho ainda a prestar ao país e à vida pública. Estou em meu primeiro mandato como senador. E, acima de tudo, sei de minha responsabilidade com o Brasil. Venho fazendo a minha obrigação com o diálogo permanente com as instituições e com a defesa intransigente da democracia, das liberdades e do estado de direito.

Vou lutar, dentro e fora do Senado, para que as eleições gerais deste ano tenham como resultado o fortalecimento institucional e democrático do país. Qualquer tentativa de retrocesso democrático deverá ser rechaçada com veemência.

Por fim, tenho absoluta certeza que o PSD em sua dimensão saberá qual o melhor caminho a seguir, sustentado na defesa das instituições, da democracia, das liberdades e na urgente promoção da recuperação que o Brasil, os brasileiros e as brasileiras tanto necessitam.

Minha gratidão ao presidente Gilberto Kassab e aos meus colegas de partido!”

Fonte: Por Cláudio Humberto
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