Varizes, coágulos e inflamações: por que doenças vasculares aumentam no verão?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), a incidência de problemas vasculares é 30% maior na estação mais quente do ano.| Foto: Bigstock

Porto Velho, RO - Basta a temperatura subir para que a cabeleireira Andréia Aparecida da Silva sinta ardência nas pernas durante o trabalho e lembre dos problemas vasculares que já enfrentou. “Eu sentia muita dor, inchaço, tive varizes e precisei fazer cirurgia para remover a veia safena”, conta a paranaense, que realiza acompanhamento médico especializado no verão e mantém atividades físicas regulares para ajudar na circulação do sangue.

Esses cuidados, de acordo com o angiologista e cirurgião vascular José Fernando Macedo, colaboram com a estética do paciente e são essenciais para evitar coágulos e inflamações nos vasos linfáticos e nas veias, situações que costumam aumentar em até 30% nos períodos de alta temperatura, de acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).

“Isso porque o calor propicia maior dilatação dos vasos, levando a pessoa a ter edemas nos membros inferiores e podendo desencadear complicações graves”, alerta o especialista, ao explicar que veias dilatadas sem tratamento podem gerar inflamações, trombose, se transformar em feridas e até causar embolia pulmonar.

Além disso, ele explica que os problemas vasculares também estão associados às doenças como aneurisma cerebral, dislipidemia – que é a presença de níveis elevados de gordura no sangue – e ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). Então, “é necessário estar atento a sinais como dores nas pernas e varizes, principalmente no verão”.

Essa atenção deve ser ainda maior para quem possui familiares próximos como pai, mãe ou avós que já desenvolveram problemas vasculares. Afinal, “com o fator hereditário, o paciente pode ter varizes e, no calor, sofrer inflamações nas veias”, explica. “E outro fator importante é o profissional, pois pessoas que trabalham muito tempo em pé têm a mesma tendência”.

É o que a auxiliar de padaria Izabel Borgo percebe diariamente. “Entro na panificadora às 6h30 e só consigo sentar um pouco no horário de almoço”, relata. “Depois, sigo direto das 13h às 19h30 e fico com as pernas bem inchadas”.

Cuidados com coração devem começar na infância


Para aliviar o incômodo, ela realiza caminhadas de uma hora algumas vezes na semana, coloca as pernas para cima durante a noite e cuida com a alimentação, preferindo alimentos saudáveis e com pouco sal. “E tenho acompanhamento médico, pois já tive varizes no passado e precisei fazer cirurgia”, relata a paranaense de 58 anos.

Só que o angiologista José Fernando Macedo afirma que essa preocupação não vale apenas para quem tem histórico de problemas vasculares. “O cuidado é importante para todos”, garante o especialista, ao indicar uma boa alimentação, ingestão de muita água e a prática frequente de atividade física. “De preferência caminhar ou pedalar uma hora por dia, todos os dias”.

Essa rotina no verão e nas demais estações ajuda a fortalecer a panturrilha, que é conhecida como “coração periférico” e precisa estar forte para empurrar o sangue. “Se essa musculatura estiver flácida, não haverá potência, portanto, é necessário fazer exercícios”, ressalta Macedo.

Além disso, praticar atividades físicas e manter uma alimentação equilibrada evita o sobrepeso, que também força a parede das veias e aumenta a chance de problemas vasculares. “Ou seja, uma rotina saudável prevenirá doenças vasculares, ajudará o coração, o cérebro e trará mais qualidade de vida para o paciente”, finaliza.

Fonte: Por Raquel Derevecki
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