Aripuanã, o projeto que viabilizou a UFMT





Porto Velho, RO - A UFMT foi criada como Fundação, em 10-12-1971, na base aérea de Campo Grande, pelo Presidente Médici e Ministro da Educação Jarbas Passarinho, graças ao empurrão inicial do então Ministro da Educação Tarso Dutra.

O governador do Estado ainda não dividido era Pedro Pedrossian e eu seu Secretário de Educação.

O governador escolhido para o próximo quatriênio (71-74) era José Fragelli.

Quando a nossa universidade foi criada em dezembro de 1970, o orçamento do MEC para 1971 estava “fechado” como me diziam os técnicos de Brasília.

Graças à compreensão de José Fragelli, que com recursos estaduais bancou as despesas da UFMT, teríamos uma universidade sem condições de funcionar.

Teria sido um verdadeiro aborto no primeiro mês!

A ajuda nos permitia contratar em 1971 apenas professores horistas no regime de 12 e 20 horas. Uma barbaridade para uma recém-criada universidade.

Reitor e pró-reitores eram funcionários públicos colocados, sem ônus, à disposição da universidade.

Estávamos nessa situação quando fomos chamados ao MEC.

Segundo os técnicos do planejamento, éramos a única universidade federal a não apresentar o projeto “pluri anual” orçamentária, para viabilização financeira em 1972-73 e 74!

Absurdo dos absurdos, pois nem orçamento para 1971 possuíamos!

Graças à habilidade do nosso professor de economia e assessor da reitoria para assuntos financeiros, Édson Miranda e nossos técnicos orientados por um grupo contratado em Brasília, atendemos a solicitação do MEC no prazo exíguo que tínhamos “dentro de uma exceção”.

Impedimos também que nossos próximos orçamentos ficassem “gessados” ao auxílio que recebíamos do governo do estado.

Se isso acontecesse estaríamos “fritos” como dizem os cuiabanos.

Em 1972, que na verdade foi o 1º ano da universidade, pudemos contratar professores em regime de 20 e 40h, alguns com dedicação exclusiva.

Também bons técnicos com salários competitivos ao do mercado.

Para valorizar mais os “cérebros” da universidade, sendo fundação, poderiam acumular um salário de professor com um de técnico desde que houvesse compatibilidade de horários.

Todos os anos o governo federal ajustava os salários dos seus servidores.

A inflação galopante “comia” esses aumentos.

Como éramos fundação, na 1ª semana do ano novo, reuníamos o Conselho Diretor e concedíamos um aumento superior ao dado pelo governo federal.

Lembro-me que um ano os dois aumentos perfaziam o total de 85 por cento no salário dos nossos professores e servidores.

A satisfação era geral e os pátios da universidade ficaram repletos de carros novos.

O segredo desse “milagre’ era que o Projeto Aripuanã possuía recursos próprios e prestigio para a universidade captar recursos humanos e financeiros.

A “sobra” dos recursos que deveríamos investir em “pessoal”, eram repassados para obras no campus.

Mais um pouquinho da história verdadeira da UFMT.


Fonte: Gabriel Novis Neves é médico e ex-reitor da UFMT
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