Mosquini e Raupp se unem para salvar MDB das mãos de Confúcio Moura

Valdir Raupp e Lúcio Mosquini foram chamados em Brasília pelo presidente do MDB Nacional, o Deputado Baleia Rossi (centro), para que juntos resolvam a situação do partido em Rondônia. O Senador Confúcio Moura não foi convidado para a reunião.

Porto Velho, RO - O MDB que já foi o maior partido de Rondônia, com a maior bancada na Assembleia Legislativa, teve maior número de deputados federais e chegou a ter dois dos três senadores que cabe ao estado, nos últimos tempos tem amargado a condição de partido de segunda chamada, relegado até por legendas que outrora desprezou, como por exemplo, o PSB de Mauro Nazif, o PSDB de Hildon Chaves e até o PT, que vive seu pior momento, mas mesmo assim não quer conversa com os emedebistas.

Desde a sua fundação em Rondônia, o MDB nunca deixou de ser protagonista nas eleições estaduais. Sempre teve seus candidatos à majoritária, ganhou algumas vezes, bateu na trave em outras, mas sempre mostrou a cara, ajudou a dar as cartas do baralho da política e ficou de mão na maioria das vezes.

Nos últimos tempos, porém, desde que Confúcio Moura armou aquela situação na convenção de 2018, com invasão do diretório, quebra-quebra e tapa na cara de secretário de Estado para impôr a sua candidatura ao Senado, o MDB vem definhando e beira a situação de partido nanico, aqueles partidos de aluguel que o próprio MDB sempre utilizou para as suas gloriosas conquistas.

A atuação do MDB sob a orientação de Confúcio Moura afastou parceiros de outrora e fortaleceu antigos adversários. Confúcio Moura deixou de lado importantes companheiros de partido, que sempre lutaram pela legenda, não deixou crescer nenhuma nova liderança dentro da sigla para que não se tornasse sombra aos seus projetos políticos pessoais, exerce um questionado e apagado mandato de senador e o resultado é um MDB enfraquecido.

Para salvar a legenda do ostracismo eleitoral, uma receita caseira foi encontrada pelo presidente Lúcio Mosquini. Trazer de volta o ex-senador e ex-governador Valdir Raupp às mesas de negociações e garantir pelo menos um espaço para tentar o ressurgimento.

Hoje o MDB possui apenas um deputado estadual, o vice-presidente da Assembléia Jean Oliveira (que é meio independente), um deputado federal que é o próprio Lúcio Mosquini e apenas um prefeitos das chamadas cidades importantes do Estado, que é Ji-Paraná, com Isaú Fonseca. Além disso, uma dúzia de vereadores por todo o estado e dois ou três prefeitos de cidades de menor destaque político.

O retorno de Valdir Raupp às lides partidárias, já começou a aparar arestas como a criada por Confúcio Moura com o governador Marcos Rocha (União) e o prefeito da Capital Hildon Chaves (PSDB), que queriam tudo, menos o MDB por perto. Mesmo a contragosto do senador ariquemense, o partido caminha para uma composição majoritária com o União Brasil e o PSDB em apoio à reeleição de Rocha, tida por muitos, como a tábua de salvação dos emedebistas que foram escanteados por quatro anos. O MDB está sem base de campanha, sob o risco de não conseguir coeficiente para eleger deputados estaduais e federais. Não tem candidato a governador e nem ao Senado da República e para presidência ensaia uma candidatura kamikase com Simone Tebet, que todos sabem e os números apontam, não dará em nada. O MDB precisa se reinventar.

A verdade é que o MDB sempre foi um partido de poder, mas hoje está de fora de tudo. Mesmo quando perdia as eleições, de um jeito ou de outro, o MDB sempre esteve junto com os governantes, mas ultimamente está de fora de tudo, rejeitado por todos. Ao contrário de Confúcio, Valdir Raupp tem tradição de ser um político apaziguador, respeitador de acordos e estrategista de grupo. Confúcio é tido como individualista e vingativo, capaz de tudo no campo político partidário para que sua opinião se sobreponha às demais. 

Com Lúcio Mosquini e Raupp unidos no ideal de salvar o MDB estraçalhado desde o governo Confúcio, a expectativa é de que como a Fênix, o partido ressurja das cinzas. Ainda levará algumas eleições para consertar o estrago, mas se o objetivo for traçado, os acordos cumpridos, o resultado chega. Lucio e Valdir têm o compromisso de salvar o MDB do marasmo político em que o partido caiu nos últimos. O tempo é curto e os resultados precisam aparecer já em outubro deste ano, com eleição de uma bancada forte na Assembleia e pelo menos dois federais. Isso dará ao partido respaldo para buscar espaço dentro de um eventual segundo mandato de Rocha, com indicação de secretários, diretores e ocupação de lugares estratégicos. O MDB não sobrevive sem o poder. Não aprendeu a ficar de fora, apenas na oposição, mas precisa estar forte para poder bater no peito e bancar suas posições. Do jeito que está, corre o risco de acabar, assim como está acontecendo com o PSDB em Rondônia, que é partido de ninguém, em função de más administrações.

Da Redação A Notícia 24 horas


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