Candidatura de Daniel Pereira ao governo está quatro anos atrasada

Governador em 2018, Daniel Pereira abriu mão da disputa no auge da carreira e hoje, em baixa tenta voltar, numa conturbada frente de esquerda

Porto Velho - O ex-governador Daniel Pereira (Solidariedade) entra na disputa eleitoral para o governo do Estado de Rondônia com pelo menos quatro anos de atraso e sem a vantagem que de outrora possuía. Vice-governador de Confúcio Moura, em abril de 2018 recebeu o comando do Estado e tinha tudo para ser o candidato, natural, à reeleição, com chances reais de emplacar a continuidade do mandato. Não aproveitou.

Por um acordo firmado com o Senador Acir Gurgacz (PDT), Daniel Pereira abriu mão da disputa e passou a apoiar o dono do Grupo SGC para o governo do Estado. Queimou junto. Com uma candidatura capenga durante todo o período, Acir acabou tendo o registro cassado pelo TRE e os poucos votos do pedetista sequer foram aproveitados. Daniel afundou junto com o barco pedetista.

Na época filiado ao PSB, Daniel Pereira foi chamado várias vezes ao pleito, mas declinou. Hoje, no Solidariedade, anunciou apoio prematuro em Rondônia ao ex-presidente Lula, apostando no retorno maciço de petistas e correlatos ao seu projeto político, mas isso não aconteceu. Pelo menos até agora. Tentou até voltar às fileiras petistas para liderar um grande projeto de esquerda rumo ao governo de Rondônia, mas encontrou as portas do partido vermelho totalmente fechadas às suas pretensões. Teve que ficar no seu Solidariedade, sem nenhuma base política, observando as movimentações do professor e advogado Vinicius Miguel (PSB), que chegou até a anunciar sua pré-candidatura ao governo do Estado, com o PT de vice na chapa e o seu nome como possível candidato ao Senado.

Mas como dizia o político catarinente Milton Sander, que foi prefeito de Chapecó por três mandatos e presidiu a Associação Nacional dos Municípios por longos anos, "em política não existe ponto final, apenas vírgula", eis que de uma hora para outra o professor Vinícius tem seu tapete puxado às vésperas da convenção partidária que homologaria o seu nome ao Palácio Rio Madeira, passando o PSB a apoiar a candidatura de Daniel Pereira ao governo do Estado e priorizando a candidatura do seu eterno presidente Mauro Nazif à reeleição. A Vinicius Miguel sobrou, se quiser, somente uma candidatura a deputado federal. Nem para Estadual tem vaga, mas isso é outro assunto.

Nestes últimos anos, Daniel Pereira percorreu o estado por diversas vezes como superintendente do Sebrae/RO. Fez reuniões, traçou projetos, promoveu campanhas empresariais, claro, tudo com o viés político de fundo. Construiu uma "rede de amigos" empresários, mas perdeu quase tudo do dia para a noite quando se colocou como palanque de Lula no estado, esquecendo que Rondônia é ligado à produção Rural e por consequência, um dos estados mais bolsonaristas do país. Dessa virtual rede de apoio não lhe sobrou nada, apenas o desgaste pelo posicionamento lulista.

Candidato a governador, ainda a ser confirmado em convenção, cujos convencionais ele domina, Daniel Pereira entrará nunca campanha de alto risco, que com uma eventual votação pífia, pode macular a sua boa imagem política, construída desde os tempos de deputado estadual.

É certo que os apoiadores de Vinícius Miguel (PSB) não entrarão (se entrarem) na campanha de Pereira com todo o afinco por conta da puxada de tapete. O PT, que rejeitou a filiação de Daniel Pereira, todos conhecem, seus correligionários votam numa pedra que leve a estrela na testa, mas não votam maciçamente em candidato de outros partidos, mesmo em coligação, indicando o vice. É o tipo de apoio que não se pode contar.

Cambaleante, sem a máquina do governo que poderia lhe ajudar em 2018 onde tinha um nome em alta, com a rejeição de Lula em Rondônia, Daniel Pereira volta à roda-viva da política rondoniense na sua pior fase. Como candidato ao Senado, até teria alguma chance por conta das candidaturas que se apresentam, mas como candidato ao governo, a aventura é maior e mais arriscada. No tic tac da política, cada minuto é imprescindível, pois o tabuleiro eleitoral não mais aceita blefes.

Daniel deu tempo errado ao tempo a acabou caindo na cova dos leões. Resta saber se terá ele uma mão divina para lhe ajudar nesta empreitada eleitoral e se terá ele fôlego suficiente para aguentar a agrura esquerdista junto ao eleitorado rondoniense. Todos sabemos que Pereira é conhecido no estado e conhece Rondônia de Norte a Sul como poucos políticos, mas o tempo geralmente é implacável, especialmente nas questões de pretensões político-eleitorais.

Em tempo, vale lembrar que Rondônia jamais elegeu um governo de esquerda e que o desempenho de políticos canhotos nas urnas, mesmo em eleições proporcionais, sempre foi de pouca relevância no estado. Vamos esperar outubro para conferir o grito das urnas. Em política, acredita-se em surpresas, mas pouco pode se contar com milagres.


Da Redação


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