Indigenista Bruno Pereira denunciou suspeito preso por desaparecimento

Bruno Pereira e Dom Phillips. Fotos: Divulgação/Funai e Reprodução Twitter

Porto Velho, RO - Relatórios obtidos pelo jornal O Globo revelam que o indigenista Bruno Pereira, desaparecido há uma semana no Vale do Javari, no Amazonas, com o jornalista inglês Dom Phillips, já havia denunciado o principal suspeito de envolvimento no caso, Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado, preso temporariamente desde quinta-feira.

Os documentos, produzidos no ano passado e este ano, continham informações sobre inspeções feitas na Terra Indígena pela equipe de vigilância da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) com relatos de invasão, presença de grupos armados, ameaças e até ataques a tiros contra indígenas.

As denúncias foram entregues ao Ministério Público Federal de Tabatinga, à Força de Segurança Nacional, sediada na região, e à própria Funai, de acordo com o relato dos indígenas. Além de vistorias feitas entre agosto e setembro de 2021, os indígenas relatam que, na sexta peregrinação pelo território, constataram o aumento das invasões de criminosos e embarcações de grande e médio porte que estavam retirando “milhares de tracajás e tartarugas” e “toneladas de carne de Pirarucu” que eram vendidos no centro de Atalaia do Norte. Armados e com os rostos encobertos, os pescadores ilegais conseguiam entrar e sair da Terra Indígena passando pela base na Funai.

A Univaja pede sigilo sobre as revelações entregues ao MPF porque elas conteriam informações sensíveis à estratégia de proteção da área indígenas. Junto com o material, foram apresentadas imagens de embarcações abandonadas pelos criminosos em fuga.

O momento mais dramático é descrito no dia 2 de abril, segundo a reportagem. Os integrantes da EVU dizem que, neste dia, ao retornar para um de seus pontos de apoio no Lago do Jaburu, após vistoria nos lagos Xicute, Socó e Campina, no Rio Itaquaí, se deparam com três pescadores com camisas no rosto saindo da terra indígena. Segundo eles, com a iluminação de holofotes, os invasores atiram “sete vezes” com espingarda contra a equipe da EVU.

O relatório menciona o nome de Pelado, que agora está no centro das investigações. É relatado que, na noite do dia 3 de março, ele estava com outros quatro ou cinco infratores pescando no interior da terra indígena, próximo à aldeia Korubo.

Segundo a equipe da EVU, Pelado era apontado “como um dos autores dos diversos atentados com arma de fogo contra a Base de Proteção da Funai entre 2018 e 2019”. O relatório encaminhado pelo procurador da Univaja, Eliésio Marubo, conclui que essa informação foi repassada à Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari da Funai.

O MPF informou que tem um procedimento instaurado para investigar os relatos desde dezembro do ano passado. A Funai ainda não se pronunciou sobre as denúncias da Univaja.

Fonte: DP Redação
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