Autoridade x autoritarismo - Dar limites e impor regras às crianças pode ser feito de forma respeitosa


É possível conciliar uma educação respeitosa quando se entende, principalmente, a diferença entre ser autoritário e ter autoridade.| Foto: Bigstock

Porto Velho, RO - Fazer combinados claros e simples sobre as regras da família. Ainda, prevenir situações que incentivem a rebeldia das crianças, atender suas necessidades para evitar crises de sono, fome ou cansaço; dialogar, advertir, estabelecer consequências lógicas, e dar bom exemplo foram meios que a doula Maria Luiza Leal e o marido encontraram para dar limites e impor regras de forma respeitosa aos seus filhos, Vicente, de 4 anos, e Elisa, de 1.

Bruna Rocha, educadora parental, especialista em disciplina positiva, ensina que, assim como fazem os pais de Elisa e Vicente, é sim possível conciliar uma educação respeitosa com limites e imposição de regras às crianças. "Os pais, tendo os valores da família estabelecidos, podem aplicá-los por meio de regras e limites que façam sentido com base na idade de cada criança, e que sejam apresentados com acordos e conversas, sem imposição", explica Bruna.

O que significa educar de forma respeitosa?

Educar de forma respeitosa significa ter a empatia de se colocar no lugar da criança, conta Bruna, que abordará o tema em uma das palestras da Feira Cute Cute, que acontece até 5 de junho, em Curitiba.

A educadora parental destaca que lidar com os comportamentos desafiadores das crianças de forma respeitosa é um trabalho e tanto para os pais, mas não impossível. Por isso, reforça a importância de mãe e pai entenderem que todo mau comportamento da criança se relaciona com uma necessidade não atendida.

E para alcançar uma educação que equilibra afeto e disciplina, Bruna indica o aprofundamento nos conhecimentos e o uso de ferramentas corretas, para praticá-las e internalizá-las. "Existe uma grande diferença em ser autoritário e ter autoridade. Quando se compreende isso tudo flui de uma forma natural e leve", destaca.

Maria Luiza conta que ela e o marido costumam escutar o que os filhos têm a dizer, validar a informação e acolher as emoções e pensamentos. "Além disso, damos espaço para que as crianças tomem pequenas decisões no dia a dia, como a forma de se vestir, sempre através de muito diálogo".

Acolhendo para ensinar a acolher

A educação respeitosa entende, por exemplo, que as crianças não possuem a capacidade de acolher outra pessoa, por questões de fases neurais. Um exemplo é quando um novo filho chega.

Bruna sugere que neste momento os pais, além de ensinar a criança a ser respeitosa nos momentos de brigas, deem o exemplo com suas atitudes, já que estas serão refletidas nas condutas dos pequenos. "Se os pais agirem de uma forma acolhedora no momento do comportamento desafiador da criança, ela internalizará as ações. Com isso irá acolher o irmão de forma natural", acrescenta.

E foi dessa maneira que Maria Luiza agiu ao descobrir uma nova gestação. Ela procurou criar o sentimento de pertença no Vicente em relação à irmã, construindo associações positivas à chegada dela.

"Quando anunciamos a gestação, lhe demos um livro sobre se tornar irmão mais velho. Também deixamos que ele contasse a novidade para os avós, que estourasse o balão no chá de revelação, fizemos mudanças no seu quartinho – pra que ficasse mais especial e bonito – e trabalhamos muito o lugar único e insubstituível que ele tem na nossa família e no coração do papai e da mamãe", recorda a doula.

É preciso ressignificar as próprias crenças

Educar de forma respeitosa pode exigir a quebra de um ciclo de gerações, muitas vezes movido por crenças que diziam que gritar e castigar eram as melhores formas de educar. "Apanhei pouquíssimas vezes na minha vida, mas me lembro delas, da vergonha, da tristeza, do medo, da raiva. Bater pode até ‘extinguir’ um comportamento, mas não ensina nada positivo. Pode parecer uma ‘solução’ rápida, mas tem consequências seríssimas", destaca Maria Luiza.

Bruna também precisou ressignificar suas crenças e maneiras de agir, rompendo com a forma que foi educada, para proporcionar ao filho uma educação respeitosa. "O meu processo de ressignificação foi libertador, mas também doloroso. Só depois de trilhar um processo de autoconhecimento, que permitiu entender os traumas e feridas da infância, pude fechar este ciclo", lembra a educadora parental.

"Quando acabo falhando, porque não sou perfeita, claro, peço desculpas, me comprometo e me esforço a não repetir o erro", conta Maria Luiza que entende que ameaças, chantagens e gritos não são práticas respeitosas.

Além destas atitudes, Bruna sugere aos pais, para descobrirem quais outras devem ser evitadas na educação de seus filhos e que reflitam: "Eu teria esta atitude com um adulto?" Se a resposta for não, eles também precisam evitá-las com as crianças.

Assim, para os pais que desejam aplicar uma educação respeitosa com os filhos, Bruna aconselha validar os sentimentos da criança, com uma escuta atenta. "Só depois que a criança estiver regulada emocionalmente, deve ser conservado o porquê de algum comportamento desrespeitoso", conclui a profissional.

Fonte: Por Sissy Zambão, especial para o Sempre Família
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