CLASSIFICAÇÃO Grão de soja avariado não interfere na engorda de animais, diz Aprosoja

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

Porto Velho, RO - O padrão oficial de classificação da soja e seus subprodutos segue em discussão, conforme disposto na Portaria nº 532/2022, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja Brasil), Antônio Galvan, a oleaginosa atualmente é avaliada por sua aparência física, mas isso apenas faz sentido para o grão que é comercializado em supermercados e precisa da estética como um atributo para atrair clientes, como acontece com o feijão e outros itens.

“Mas estamos falando de um produto que vai para a indústria. De que forma se vai querer classificar um produto que vai ser esmagado, que perde totalmente sua característica e é transformado em farelo, de onde vai sair a proteína, assim como no óleo?”, questiona.Nova classificação de soja deve ressarcir produtor por grãos ardidos, diz comissão da CNA

Segundo ele, nunca se fez oficialmente um trabalho que avaliasse as propriedades tanto do grão que tem o aspecto físico perfeito quanto do que começa a apresentar avarias por conta do excesso de umidade ou de seca. “Está se classificando um grão, e isso foi instituído há muitos anos e pelas próprias empresas, pelo que a gente tem de conhecimento, pelo aspecto físico e não pelo que ele tem internamente, ou seja, teor de proteína e de óleo”, adverte.

Por isso, Galvan diz que na época que presidia a Aprosoja Mato Grosso, a entidade encomendou um estudo para avaliar o grão que sofre avaria, seja o fermentado, o ardido ou o picado de inseto – e são descontados pelos compradores. “Para nossa surpresa, o grão ardido, que fica feio e perde o seu aspecto físico, foi o que demonstrou ter mais óleo e proteína. Porém, a discussão surgiu em 2016 quando as empresas compradoras disseram não saber se o farelo desse grão teria o mesmo efeito no ganho de peso dos animais”, relata.

Para comprovar esse atributo, o presidente da Aprosoja Brasil diz que foi encomendado um trabalho na Universidade Federal de Mato Grosso com quase 100% de grãos avariados e não houve qualquer comprometimento na engorda de aves, suínos ou ovinos. “Então nós, como produtores rurais e representantes do setor, não podemos aceitar qualquer tipo de desconto pelo aspecto físico de um grão de soja. Essa é uma luta antiga nossa e não temos mais como aceitar esse modelo, esse tipo de classificação”, finaliza Galvan.

Fonte: Por Victor Faverin de São Paulo
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