Como os partidos vão usar a propaganda partidária para impulsionar as candidaturas presidenciais

Presidente Bolsonaro irá participar das inserções do PL a partir de junho| Foto: Anderson Riedel/PR

Porto Velho, RO
- Já estão sendo veiculadas na cadeia nacional de rádio e TV, desde o último sábado (26), as peças comerciais da propaganda partidária. O mecanismo estava extinto desde 2017, mas no ano passando deputados e senadores aprovaram a volta das inserções durante a reforma eleitoral.

Os comerciais estão sendo veiculados das 19h30 às 22h30, às terças-feiras, às quintas-feiras e aos sábados, por iniciativa e sob a responsabilidade dos partidos. A propaganda será realizada em todo território nacional. Segundo a norma estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao menos 30% do tempo deve ser destinado à participação feminina na política.

A propaganda partidária é diferente da propaganda eleitoral, que começará a ser veiculada em agosto. Ou seja, pela legislação está proibida a divulgação de propaganda de candidatos a cargos eletivos. Apesar disso, os partidos dos principais candidatos ao Palácio do Planalto já estão aproveitando o novo mecanismo para dar visibilidade aos seus pré-candidatos.

PDT reforça candidatura de Ciro Gomes na propaganda partidária


Nesta semana, por exemplo, o PDT começou a veicular as peças com o pré-candidato Ciro Gomes como seu principal garoto propaganda. A expectativa da cúpula do partido é expor ao máximo o ex-ministro e com isso tentar alavancar os números do pedetista nas pesquisas de intenção de voto.

De acordo com o último levantamento do instituto PoderData, de março, Ciro Gomes tem 7% das intenções de voto e está atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que somou 40%, e do presidente Jair Bolsonaro (PL), com 32%.

"Queremos furar a polarização Lula-Bolsonaro. Além disso estamos reafirmando a candidatura do Ciro Gomes para o eleitorado e para o PDT", afirma o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Com o baixo desempenho nas pesquisas, líderes do partido vinham defendendo nos últimos meses que o PDT abrisse mão da candidatura própria para apoiar o ex-presidente Lula.

Na primeira propaganda do partido, Ciro Gomes diz ter a fórmula para a economia brasileira trocar o “voo de galinha” – fases de crescimento pequeno e de curta duração – pelo “voo de águia”. "Ano após ano, o Brasil quer mudar de rumo, mas o convencem a seguir pelo mesmo caminho. Ele vai e cai no buraco. Às vezes, cresce um pouquinho, mas é só um voo de galinha", afirma Ciro no comercial.

Nas próximas inserções do partido, Ciro Gomes pretende falar sobre saúde, gestão pública e do seu plano nacional de desenvolvimento. As propagandas do pedetista estão sendo criadas e dirigidas por João Santana, marqueteiro que realizou a campanha de reeleição de Lula em 2006, e as duas campanhas da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010 e em 2014.

Na primeira aparição do Podemos, Moro aborda corrupção no Brasil


A propaganda partidária do Podemos só será veiculada de forma nacional a partir do mês de maio, nos dias 21, 24, 26, 28 e 31. No entanto, a sigla já promoveu inserções regionais nas emissoras de São Paulo entre os dias 23 e 28 de fevereiro.

Nestes primeiros comerciais, a sigla aproveitou para falar sobre combate à corrupção usando seu pré-candidato, o ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro. A temática foi a mesma que alçou Moro como figura pública, consequência de sua atuação como juiz federal responsável pelas ações da Operação Lava-Jato.

Na peça, a imagem de Moro aparece nos segundos finais após o narrador falar frases como "ninguém está acima da lei" e "lugar de político corrupto é na cadeia". " Talvez você ainda não tenha percebido, mas no fundo a gente acredita nas mesmas coisas", diz Sergio Moro na sequência.

Assim como no caso do PDT, a peça do Podemos foi idealizada pelo marqueteiro contratado pelo partido para a campanha de Sergio Moro. De acordo com integrantes do partido, o vídeo faz uma provocação ao PT, que na campanha de 2002 usou o conceito: “Você talvez ainda não saiba, mas no fundo, no fundo, você é um pouco PT.”

Para as inserções na cadeia nacional de rádio e TV, o partido pretende usar Moro para falar sobre outros temas como economia, saúde e educação. O cronograma faz parte da estratégia do partido de ampliar o discurso de Moro para além do tema de combate à corrupção.

Tebet vai explorar participação da mulher na política em propaganda do MDB


Próximo partido a ter sua propaganda partidária apresentada em rede nacional, o MDB também pretende usar sua pré-candidata à presidência, a senadora Simone Tebet como garota propaganda. A inserções da sigla estão previstas para irem ao ar a partir do próximo dia 10.

Tentando se viabilizar como nome da chamada terceira via, Tebet também pretende se apresentar como alternativa para furar a polarização entre Lula e Bolsonaro. "A participação de Simone Tebet como porta-voz do MDB nos comerciais do partido é a exposição da lógica de que o Brasil é mais complexo e diverso, por isso merece muito mais do que dois caminhos", alegou a pré-campanha da emedebista.

Além disso, o partido pretende explorar o fato de Simone Tebet ser a única pré-candidata mulher da corrida presidencial como forma de abordar a participação feminina na política. Até o momento, Tebet ainda patina nas pesquisas de intenção de voto e no último levantamento PoderData somou apenas 1% das intenções de voto.

A cúpula do partido, no entanto, acredita que a candidatura pode ganhar musculatura conforme a campanha se aproxime e Tebet ganhe mais exposição. Na última pesquisa CNT/MDA, 61,9% dos entrevistados afirmaram não conhecer a pré-candidata do MDB.

Lula vai trazer "verdades" durante propaganda partidária do PT

Assim como os demais partidos, o PT pretende ter o ex-presidente Lula como principal garoto propaganda do partido. Até o momento, a cúpula do partido ainda não definiu qual será o mote de todas as peças que serão exibidas no final de março.

Contudo, líderes do partido já sinalizam que uma das estratégias será a de apresentar as "verdades" sobre o que foi levantado nos últimos anos contra o partido. Assim como fez recentemente ao lançar uma revista de quadrinhos, Lula pretende apresentar a versão da sigla sobre o que ocorreu na operação Lava Jato.

O ex-presidente tem comemorado as vitórias que obteve na Justiça nas ações relacionadas à força-tarefa de Curitiba e repetido que a "verdade venceu e que as acusações contra ele eram maracutaia montada para tentar destruir o PT, cassar a presidenta Dilma Rousseff, impedir a participação dele no processo eleitoral de 2018". A estratégia, segundo integrantes do partido, é reforçar este discurso durante as inserções que serão feitas pelo PT na propaganda partidária.

A sigla pretendia concentrar suas inserções em junho, em período mais próximo da campanha oficial. Mas as datas já haviam sido ocupadas pelo PL do presidente Jair Bolsonaro e o PSD de Gilberto Kassab. De acordo com o TSE, as datas são distribuídas por ordem de chegada dos pedidos.

Bolsonaro deve reforçar número 22 do PL, enquanto Doria vive indefinição do PSDB

Integrantes do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, pretendem usar a propaganda partidária para reforçar o número 22 da sigla nas urnas. A estratégia, segundo integrantes do núcleo de campanha, é reforçar que nas eleições deste ano o número para votar em Bolsonaro não será o 17, quando o então candidato à presidência estava filiado ao PSL.

As inserções do partido do presidente estão previstas para irem ao ar a partir de junho. Ou seja, Bolsonaro vai ter a sua exposição na propaganda de rádio e TV a cerca de quatro meses do primeiro turno das eleições. Ao todo, a sigla terá direito a 20 minutos de propaganda partidária, divididos em 40 inserções de 30 segundos.

Vivendo um impasse sobre a candidatura do governador de São Paulo, João Doria, ao Palácio do Planalto, o PSDB ainda não cravou se o tucano será o principal garoto propaganda do partido. No entanto, a sigla pretende usar suas inserções para abordar a campanha de vacinação contra Covid-19 como forma de ampliar a visibilidade de Doria. As primeiras inserções do PSDB vão ao ar a partir do dia 26 de abril.

Metodologia de pesquisas citadas na reportagem

O levantamento do instituto PoderData, que contratou a própria pesquisa, ouviu 3 mil eleitores entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março de 2022. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01570/2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa CNT/MDA foi realizada pelo instituto MDA sob encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09751/2022. Foram ouvidos 2.002 eleitores entre os dias 16 e 19 de fevereiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

Fonte: Por Wesley Oliveira
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