Primeira cura de HIV em mulher envolve células-tronco de cordão umbilical


As células-tronco procederam de um doador com resistência natural ao vírus que causa a aids e pode ser tratamento promissor.| Foto: Bigstock

Porto Velho, RO - Uma norte-americana se tornou a terceira pessoa e a primeira mulher possivelmente curada do HIV, após passar por um transplante de células-tronco procedentes de um doador com resistência natural ao vírus que causa a aids, um novo tratamento que pode abrir opções de cura para mais pessoas.

O anúncio foi feito no último dia 15, durante uma conferência realizada em Denver (Colorado, Estados Unidos) pela equipe de especialistas que trataram essa americana em Nova York.

A paciente, segundo explicaram, não apresenta níveis detectáveis de HIV há 14 meses, apesar de ter interrompido o tratamento com antirretrovirais. Portanto, ela é considerada livre do vírus e será considerada curada se não houver alterações. Isso a tornaria a terceira pessoa no mundo a ser curada do vírus e a primeira mulher, já que os dois casos conhecidos até agora eram de homens.

Conhecida como "Paciente de Nova York", para preservar o anonimato, a paciente é uma mulher mestiça (pai e mãe de raças diferentes) e que primeiro foi diagnosticada com HIV e depois com leucemia. Ela recebeu um transplante de células-tronco de um cordão umbilical, complementado com células adultas doadas por um parente.

A técnica é semelhante à utilizada no caso das duas curas conhecidas até agora, que se baseia no uso de células-tronco de indivíduos que possuem uma mutação genética que os torna resistentes ao HIV, mas, segundo especialistas, o uso de células de um cordão umbilical em vez de um doador adulto é considerado um grande avanço potencial.

Segundo os cientistas, o uso de sangue de cordão umbilical não exige o mesmo nível de compatibilidade entre doador e receptor que é exigido para células adultas, o que pode tornar esse tipo de tratamento benéfico para mais pessoas. De qualquer forma, os especialistas alertam que a cura do HIV por meio de transplantes de células-tronco ainda se limita, por enquanto, aos casos em que o paciente sofre de câncer ou outra doença grave que justifique um procedimento tão complexo e potencialmente fatal.

Segundo disse à emissora "NBC" Deborah Persaud, especialista da Universidade Johns Hopkins que dirige o programa no qual esta pesquisa foi realizada, a terapia com células-tronco "continua sendo uma estratégia viável para apenas um punhado dos milhões de pessoas que vivem com HIV".

A equipe responsável pelo tratamento em um hospital de Nova York também destacou a importância de a "Paciente de Nova York" ser uma pessoa mestiça, já que a mutação genética que torna alguém resistente ao vírus costuma ocorrer em pessoas brancas, o que até agora tornou difícil encontrar doadores compatíveis para pessoas de outras raças.

Fonte: Por Agência EFE
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